Se as coisas na sua empresa não estão acontecendo exatamente como você gostaria, muito provavelmente você está desejando algo que não é possível acontecer com as pessoas que estão ao seu redor.

Você poderia tentar substituir as pessoas, trocando-as por outras mais adequadas ao seus planos operacionais, mas não há como saber exatamente quais pessoas trocar e nem se quem virá será mesmo mais adequado ao processo.

Além disso todo esse movimento poderia comprometer diretamente os negócios de sua empresa que, apesar de não estar acontecendo exatamente como você gostaria, tem te sustentado e a todos, de uma forma ou de outra.

Então vem um certo sentimento de impotência por não ser possível influenciar diretamente uma realidade que te cerca, apesar de toda capacidade racional que você possui. Afinal toda nossa civilização ocidental está baseada na premissa de que podemos alterar nosso realidade, influenciando destinos, conduzindo pessoas e reorganizando processos de produção. Temos feito isso a séculos com resultados medíocres e evidentes.

Está aí a tecnologia com seus avanços e recursos, provando que podemos transformar a natureza de modo profundo e significativo. Então podemos ir à Lua,e em breve à Marte, e até mesmo clonar ovelhas, ou levantar pessoas de suas cadeiras de rodas com células-tronco ou próteses de titânio. Temos controlado a realidade ao nosso redor e então porque você não consegue realizar apenas aquilo que gostaria em sua empresa para que as coisas acontecessem exatamente como gostaria?

Certamente você projetou um cenário de sucesso, com clientes satisfeitos, bons resultados financeiros e uma equipe feliz e bem remunerada, tudo isso e ainda uma contribuindo com sua comunidade de modo direto ou indireto. Perfeito! Então porque não funciona?

Talvez ainda lhe falte um pouco de conhecimento sobre como operar as coisas para que elas aconteçam exatamente como você gostaria. Então você compra um livro, faz um curso, participa de um workshop e traz para sua empresa uma série de processos de aprendizagem para que as pessoas também possam se desenvolver e contribuir com o crescimento da empresa.

Mas elas parecem não entender muito bem os conceitos e práticas propostos. Não conseguem se envolver completamente com as mudanças necessárias e insistem em continuar vivendo suas vidas de modo individual e descompromissado com seu projeto de empresa. E parece ser impossível permitir que eles mesmos proponham algum outro projeto de empresa, até porque eles esperam que você faça isso, já que afinal este é seu trabalho.

Então você ajusta suas vontades ao que parece ser possível diante daquilo que você gostaria e apresenta a todo mundo novamente, e convida todo mundo a participar de algum modo para a construção de algo que seja de todos, e que seja pelo menos parecido, semelhante ou inspirado naquilo que você gostaria.

Mas poucos conseguem realmente se envolver com esta construção coletiva, e alguns o fazem apenas por interesse imediato e outros apenas porque não tem nada melhor para fazer, nem tem um sonho próprio, e terminam por tentar sonhar o seu para ver no que vai dar.

E palavras como fé, esperança e futuro se multiplicam em sua falas. Você repete essas coisas nas reuniões, encontros e no mural da empresa. E todos parecem escutar, mas não ouviem. E cada vez fica mais difícil continuar repetindo estas palavras, e mesmo mantê-las resguardadas em seu coração torna-se uma tarefa quase impossível.

Então você para e pensa. Sente e avalia e ajusta mais uma vez seus planos, desta vez de acordo com a realidade que agora você observa com mais clareza ainda! E com estes novos planos você tem uma nova imagem pretendida daquilo que gostaria. E tudo começa novamente do mesmo ponto, só que desta vez, desta enésima vez, você começa a acreditar que só é possível tentar influenciar a realidade, e não alterá-la completamente, e parece mesmo que a vida á assim e vamos em frente porque para trás ninguém anda, não é mesmo?

Mas você vai ajustando daqui, forçando dali, premiando uns e outros, trocando alguns e contratando outros e algo começa a acontecer, finalmente. Não é o que você pretendia mas é alguma coisa, pelo menos!

E então como diz o educador Maturana: “…na maior parte do tempo, as circunstâncias corretas não acontecem por si mesmas, e temos que desenhá-las e impô-las gerando um processo que inevitavelmente dará origem a muitas mudanças que logo vemos que não queríamos que acontecessem. Quando fazemos isso, geramos dor, sofrimento e distorções ecológicas que tornam infeliz nossa vida e a de muitos outros, sob a promessa de que com nossa inteligência e criatividade tecnológica traremos bem-estar tanto aos seres humanos como a outros seres vivos. Mas, na maior parte do tempo, as coisas não acontecem assim. O que acontece? Somos maus ou somos ignorantes?”

Talvez essa pergunta não seja a mais adequada a toda esta situação. A única coisa que posso afirmar é que é preciso pensar mais sobre isso tudo. E que precisamos pensar nisso juntos. Mais do que isso. Precisamos conversar sobre isso juntos. Sobre isso e sobre tudo que nos interessa.

E devemos conversar sobre nossas próprias experiências, para que estas conversas façam sentido. Formulando nossas próprias perguntas, a partir de nossas dúvidas mais concretas e verdadeiras. Porque o que temos de mais real são justamente estas dúvidas. E a partir delas teremos boas conversações.

Estas conversações serão nosso ponto de partida para a construção de uma imagem pretendida e preferida por todos nós. E lá poderá estar também você, com todo o seu sonho e desejo de fazer exatamente como você gostaria. E também estará alguém que pensa de modo bem diferente de você, e de alguma maneira todos poderão estar alinhados, não em um consenso, mas em uma diversidade convergente. Um movimento conjunto de pessoas que pensam de modo diferente e, mesmo assim, compartilham um mesmo projeto. E claro que conversam muito sobre isso. Dá muito trabalho.

E por isso uma coisa dessas não é para qualquer um. Serve apenas para quem busca realmente um mundo além do controle, além da união e além da liderança. Um mundo onde as pessoas, como os peixes de um rio, nadam cada um em uma direção, e todos na mesma correnteza, indo para um mesmo mar.

Na loucura dos tempos que vivemos isso pode parecer uma utopia. Mas na natureza das coisas como são, é apenas uma realidade.

E é justamente esta realidade que desejamos a todos neste natal e para 2008, e além!

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  1. Cláudio Pinho

    Algarra.
    muito bom, o que posso dizer é que: qualquer semelhança com o nosso atual cenário não é mera coencidência.
    E tudo “Serve apenas para quem busca realmente um mundo além do controle, além da união e além da liderança.”
    Que 2008 possamos ir além!

    Responder

  2. inês

    mais do que bom,em meu trabalho estou vivenciando um cenário como este e confesso,estava me desgastando mas esta mensagem me edificou.

    Responder

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