DSP 67: Eye Heart You 2007-07-23

Originally uploaded by vernhart.

Ninguém vê esta realidade como você. Seu sistema nervoso é um sistema fechado. Então nada entra. Quando você vê uma rosa, não vê a rosa. A luz que chega até a rosa reflete na rosa e chega até seus olhos. Seus neuro-sensores que são formados por moléculas reagem a esta luz e, daí por diante, não há um conjunto de impulsos elétricos que entram em seu sistema e formam a imagem de uma rosa. Pensávamos que as coisas eram desse modo até Humberto Maturana formular sua famosa experiência da Salamandra.

Agora sabemos que a luz refletida da rosa promove uma alteração molecular em seus sensores e, a partir daí, algo é disparado em você, algo aponta para algo em você que é a rosa em você, percebe?

Não vemos o mesmo verde, mesmo quando olhamos para a mesma bandeira do Brasil. Cada um de nós vê o verde que tem dentro de si. Vemos o verde que a luz da bandeira Brasileira dispara em nós!
Não há realidade compartilhada. Somos criadores de mundos, vivemos em um contínuo fluir de coordenações e interações de coordenações a partir de nossa estrutura enquanto ser humano vivo que cria de modo recorrente uma realidade a cada instante presente em que vivemos. Cada um de nós é um precioso e único observador do universo. E tudo que é dito é dito a partir do observador que há em nós.

O cão vê o mundo, sente o mundo, até se emociona mas não se percebe fazendo isso. O cão não pensa: “Estou triste porque não posso entrar na cozinha!”. Ele apenas fica triste. Nós não. Nós somos seres reflexivos porque temos um Observador e um Observar. Mesmo quando não estamos pensando ou raciocinando estamos refletindo. A bailarina dança imrpvisando com a música sem pensar, seu corpo reage ao que ela percebe ao seu redor, sua mente está leve, sem pensamentos, mas ela está refletindo, percebe?

Como mostrou Nagarjuna o vazio (sânsc. shunya) é a ausência de uma essência, entidade ou existência inerente (sânsc. svabhava). A ausência de uma essência não significa que os fenômenos não existam, mas sim que eles são destituídos de “existência própria,” de uma “natureza própria”, e que eles “existem” apenas relativamente, em dependência de causas, partes e condições. Nagarjuna foi monge indiano Nagarjuna (século II-III), cujos trabalhos deram origem à escola filosófica do Caminho do Meio (sânsc. Madhyamaka).

Ou seja, nada é em si mesmo, as coisas são como são na operação de um observador. Desafiador, não é mesmo?

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