A reflexão é um ato de amor. Daqui daonde estou vou vivendo minha vida. Vejo o mundo como o vejo, a partir do que penso e sinto. Sou aquilo que me tornei no decorrer de meus anos vividos. Sou como sou e me mantenho sendo eu mesmo a cada dia, e assim conseguir viver, até aqui onde estou.

Mas em alguns momentos me ponho a refletir. Olho para mim mesmo. Me vejo como sou. A sensação é única, difícil de explicar. Fico assim como um observador de mim mesmo. E ao me ver vivendo, querendo, fazendo coisas, me pergunto:

-“Porque quero este meu querer”?

Gosto muito quando isto acontece. Perguntando sobre mim mesmo muitas coisas se clareiam. As angústias se vão e me sinto mais livre por alguns momentos.

-“Como faço aquilo que faço”?

Outras perguntas como estas vão surgindo na curiosidade do meu observador.

As certezas se relaxam. As duras verdades amolecem, como plástico! As opiniões diferentes das minhas passam a ter um certo sentido. Sinto as pessoas mais perto. Nenhum deles está completamente errado, nem certo. Eles dizem o que dizem porque são o que são. E são o que são porque na vida se fizeram assim. E se fizeram assim porque a vida que tiveram lhes fez desse modo.

E minha vida se torna por um momento um encaixe de mim com meu mundo. Não há mais divisão entre eu e onde vivo.

Então tudo isso desaparece, repentinamente. Como o estouro de uma bolha de sabão.

Não sei o que houve, de um instante ao outro, mas tudo voltou a ser como era antes. Não sei o que houve e nem quero saber. Não faço mais perguntas. Sigo vivendo e pronto.

Logo volto a viver apenas vendo as coisas como elas são. Me envolvo em um cotidiano ao qual já estou habituado. Um dia-a-dia que é meu velho conhecido. Onde tenho respostas para tudo. Uma rotina que me acompanha desde que me lembro de quando existo.

E nesse meu mundo não preciso perguntar, apenas seguir em frente. Vejo as pessoas nesse meu mundo e para cada uma delas tenho uma opinião, um julgamento, um critério que me diz se aquela pessoa vale, o quanto vale e para o que vale. Tudo neste meu mundo tem um nome, um peso, uma medida, e tudo se enquadra numa lei, a lei de uma dura realidade.

Muitas pessoas vem conversar comigo, dizendo coisas que não se encaixam muito bem em meu mundo. Eu as ouço com educação. Concordo com a cabeça e sorrio, mas pego apenas o que me serve, seleciono o que faz sentido para mim e o resto eu jogo fora. Gosto de ouvir as pessoas, aprendo muito com elas! Sempre alguém diz algo novo que vem confirmar que eu estava certo em muito do que eu sempre disse ou pensei.

Acontece que às vêzes as coisas não saem como eu esperava. Olho sempre meu passado, e planejo meu futuro, mas às vêzes nada se passa como eu gostaria. Então eu sofro, e muito!

Neste sofrimento passo além de meus limites. Me vejo sofrendo até não poder mais e então percebo que posso não aguentar, e até mesmo desaparecer, sucumbir. Porque não? Já aconteceu com tanta gente.

Nessa hora, me encho de compaixão por mim mesmo. Não auto-piedade, mas conpaixão. Me vejo sofrendo e penso, porque estou sofrendo assim? E entro em reflexão. Por ver a mim mesmo, às vêzes, me ponho a refletir. Numa emoção que me vem de um simples ato de amor.

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