Upload feito originalmente por shadowplay

Vivemos na coerência de cada momento existindo como seres humanos vivos desde a muito tempo nesta biosfera. A cada instante vivido mantemos nossa congruência com o que nos cerca. Nossa estrutura individual determina nossas possibilidades de interação com o que está ao nosso redor, e vivemos nosso viver humano interagindo com o meio e as pessoas onde convivemos.

Mergulhados na linguagem, explicando o mundo a partir de nossas observações e refletindo sobre nós mesmos conservamos nosso viver a cada instante. Nossas células criam-se a si mesmas, e aí está o mecanismo fundamental de nossas vidas, e nós conservamos nosso meio conservando nossas vidas no viver neste meio.

Em nossa história temos vivido um caminho determinado a cada instante pelos desejos, vontades, escolhas e emoções de cada um de nós, dentro das possibilidades estabelecidadas pelo meio que nos cerca, que são tantas quantas as ondas, ventos e correntes presentes em um oceano de derivas onde mantemos a realização e conservação do bem-estar em nosso viver.

Ajustamos nossa estrutura adaptando as partes de nosso corpo, psiquismo e razão a todo momento, mantendo assim uma congruência com o meio que nos permite viver e seguir vivendo. Nos coordenamos uns com os outros da maneira possível que nossa estrutura e o meio permitem, através da linguagem humana que é na verdade um linguajear onde palavras, gestos e emoções se combinam pela expressão do que somos a cada instante.

Como seres amorosos fazemos o que fazemos a partir do cuidado que temos uns com os outros, a começar por nossos filhotes que sem amparo e proteção não podem se manter vivos sozinhos. Nesta amorosidade biológica, neste cuidar que está registrado em nossa espécie como uma condição biológica/cultural nascemos, nesta confiança do amar, e sem isto não poderia haver o habitar humano na terra.

Então o amar como fundamento de nossa espécie ocorre nas condutas relacionais onde alguém, um ou qualquer outro surgem como legítimos na convivência uns com os outros. Nascemos amorosos e, se não buscamos argumentos racionais ou motivos emocionais para viver o contrário disto, construimos um mundo de amorosidade ao nosso redor.

Quando em nossa cultura negamos esta condição amorosa fundamental, invalidando a existência de quem vive através de argumentos como a intolerância racial, social ou religiosa, por exemplo, estabelecemos uma traição cultural à própria condição da vida humana.

Com isso, na epigênese de cada indivíduo, alguns se mantém nesta amorosidade e surgem como legítimos em sua própria existência, outros se afundam na própria dor de serem negados como legítimos em seu viver e seguem mantendo uma auto-depreciação que os impede de legitimar a si mesmos e aos outros ao seu redor.

De modo que muitos de nós vivem mergulhados em traições culturais de negação da legitimidade de si mesmos e da vida ao seu redor, incluindo a própria natureza em nosso planeta que passa a ser negada enquanto meio da vida e passa a ser explorada como meio de vida.

Com a multiplicação do número de pessoas em nosso planeta, esta exploração dos recursos naturais tem se ampliado em proporções que começam a ameaçar a própria existência humana neste mundo. Hoje temos culturas inteiras que, marcadas por um conjunto de atitudes patriarcais-matriarcais, gera indivíduos que vivem na traição cultural de si mesmos como padrão em seu viver. Estas multidões, na dor de seu viver, devoram tudo ao seu redor como forma de mitigar momentaneamente este sofrimento.

A escala deste processo neste momento nos leva a um ponto decisivo na história de nossa civilização. Ou refletimos sobre o que estamos fazendo, num ato de amorosidade a nós mesmos, ou nos condenamos a um desaparecimento trágico onde o esgotamento dos recursos naturais, o desequilíbrio climático e os choques sociais decorrentes deste cenário porão fim à vida humana na terra na forma como hoje a conhecemos.

* Reflexão preparada a partir de uma pergunta reflexiva de minha Certificação em Biologia Cultural, com Ximena Dávila e Humberto Maturana do Instituto MatriZtico:¿QUE PLANETA QUEREMOS? Reflexión en Biología-Cultural Planetaria.

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