Upload feito originalmente por shadowplay

O fundamento humano do amar, que traz o outro como um legítimo outro em seu viver, só é possível a partir da constatação de que todas as realidades percebidas por cada indivíduo são válidas. Cada um de nós é o centro de um cosmos em si mesmo, que se realiza em um eterno presente mutante contínuo no fluxo de nosso viver.

Entretanto nossas certezas acerca da existência de uma só realidade compartilhada onde todos vivemos, nos coloca sempre em um espaço de onipotência. Sabemos o que sabemos a partir do mundo que percebemos, mas todas nossas percepções dependem de uma próxima experiência para se confirmar como ilusão ou percepção.

Então vivendo nesta incerteza de que o que percebemos é ou não, mas ao mesmo tempo tentando capturar um padrão de recorrências de nossas experiências para caracterizar o que chamamos de realidade, seguimos impondo nossas certezas através de argumentos racionais e emocionais que visam, em última análise, subjugar nossos semelhantes, na exigência de nossa sabedoria acerca do que é real.

Quando ouvimos algo que alguém nos diz, validamos o que nos é dito a partir do que entendemos ser a realidade. Não escutamos a legitimidade do que nos é dito a partir de quem nos diz, mas somente a partir de nós mesmos, tornando o outro alguém invisível.

O abandono do apego ao valor que cada um dá a suas próprias opiniões como únicas, válidas e verdadeiras, sejam elas fundamentadas em seja qualquer sistema de crenças ou ciências que os sustentem, pode trazer um mundo mais humano, amoroso e ético.

Este mundo onde as gerações futuras viveriam seria um mundo onde a invisibilidade do ser humano não ocorreria, ou pelo menos não seria aceita como um padrão cultural natural da espécie humana, tal qual percebo hoje.

Um mundo onde cada um de nós não teria que justificar sua própria existência. Onde poderíamos conviver sem exigências, sem prejuízos, sem opiniões e sem expectativas que distorcem a convivência gerando cegueiras que negam a oportunidade de sermos vistos em nossa legitimidade.

Um mundo onde a ampliação de nossa visão, de modo que pudéssemos distinguir a matriz de relações que constitui nossa existência na biosfera, garantisse o bem-estar na convivência da ação e reflexão éticas, livres e criativas.

* Reflexão preparada a partir de uma pergunta reflexiva de minha Certificação em Biologia Cultural, com Ximena Dávila e Humberto Maturana do Instituto MatriZtico:¿QUE PLANETA QUEREMOS? Reflexión en Biología-Cultural Planetaria.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: