Fotógrafa agotada – Upload feito originalmente por Gloria Zelaya

O futuro do planeta não está nas crianças, mas nos adultos que estas crianças serão. E serão adultos conforme crescerem acoplados nas condutas relacionais que nós adultos adotamos como válidas em nosso viver cultural. Então o que estamos fazendo hoje já está definindo o mundo onde nossos descendentes irão viver.

Em uma rede fechada de conversações que inclui nossos filhos, e os filhos de nossos filhos, conservamos que somos Brasileiros, por exemplo, até isto se estabilizar como uma epigênese a partir da qual todos que aqui nascerem tenham a conservação de seu viver sendo também brasileiros.

Determinamos então estas relações e somos determinados por elas em um devir que se conserva pelos sentires relacionais através de gerações, dando forma a nosso modo atual de viver.

Muitos de nós cresceram com a noção de que o sofrimento faz parte da vida. A milhares de anos vivemos em sociedades patriarcais-matriarcais onde os indivíduos são negados em sua existência legítima na medida que, para seguir vivendo, devem se adaptar às exigências e expectativas de um desamar generalizado.

Vivemos assim modo desde nossa infância, no esforço de não saber viver de outro modo e, se algo não nos ocorre, seguimos sem possibilidade de refletir sobre isto, mantendo-nos recursivamente neste operar de sofrimento.

Para nos mantermos congruentes com o meio, preservando nosso bem-estar no momento presente de acordo com o que ocorre ao nosso redor, entramos em congruência com uma rede fechada de conversações que conserva a insegurança, a desconfiança e, como consequência, a dominação e o controle, sustentando com argumentos racionais e emocionais que isto é absolutamente parte do viver humano. A explicação de que a vida é dolorosa em si mesma é a máxima do submetimento humano a uma cultura patriarcal-matriarcal que desse modo se conserva geração após geração.

Do mesmo modo que nos enredamos neste sofrimento através de nossas conversações em rede, desde nossa infância até o momento presente em que vivemos, podemos nos afastar da conservação deste sofrimento através das conversações reflexivas que nos coloquem a observar como fazemos o que fazemos, por exemplo.

Este suceder conversacional pode ocorrer na medida que nos dispomos a dispensar algum tempo de nossas vidas para ouvir com atenção ao outro, buscando a legitimidade do que nos é dito a partir de quem nos diz o que diz de onde diz. Estas conversações só podem ocorrer em ambientes livres de exigências, espaços isentos de espectativas, onde apenas a conservação do amar como fundamento do viver humano possa orientar os diálogos, apreciativamente.

Nestes espaços as diversas dimensões psíquicas que geralmente ficam ocultas, podem surgir através do linguajear humano livre, em reflexões que nos convidam a abrir mão de nossas certezas na percepção do que nos diz o outro, um ser humano validado pelo seu viver a partir do que vive.

O que estamos fazendo é justamente oportunizar espaços de conversação como o Global Forum America Latina, por exemplo, onde indivíduos com histórias pessoais, profissões, crenças e sistemas muito diversos possam se encontrar em uma rede de conversação reflexiva acerca dos destino de nossa espécie em nosso planeta Terra.

* Reflexão preparada a partir de uma pergunta reflexiva de minha Certificação em Biologia Cultural, com Ximena Dávila e Humberto Maturana do Instituto MatriZtico:¿QUE PLANETA QUEREMOS? Reflexión en Biología-Cultural Planetaria.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: