É tarde. Quase madrugada mesmo. Aqui onde moro, em um bairro rural de Sorocaba, bem afastado do centro, podemos dizer que quase ninguém está acordado. Os filmes que peguei na locadora terminaram e a programação da TV é péssima neste domingo. Aliás desde que me conheço por gente os finais de domingo se parecem com isso, um grande vazio para quem está acordado.

Não é uma boa hora para estar fora da cama, ainda mais para redigir algo. De qualquer modo já se passaram dez dias desde que o Global Forum America Latina (é assim mesmo, sem acento) aconteceu e eu ainda não consegui me organizar para fazer uma postagem decente. Subi mais de duzentas fotos no Flickr, preparei uma série de relatórios, redigi o convite para um encontro de extensão para os grupos de participantes, respondi inúmeros e-mails sobre o assunto, participei de algumas reuniões pós-evento, tomei um par de decisões, influencie outras tantas e fiquei à margem de algumas outras, mas blogar ainda não bloguei.

Ao contrário de minhas postagens mais recentes entrei aqui por um caminho mais testemunhal, bastante subjetivo, trazendo com isso uma dimensão mais humana de um evento que tomou proporções enormes em minha vida nos últimos três meses.

Entrei neste projeto através de meu envolvimento com a UNINDUS, promotora do Global Forum e do curso de certificação em Biologia Cultural que curso em Curitiba a um ano. Comecei me envolvendo aos poucos, acabei assumindo grande parte do projeto, trouxe a rede Papagallis para ajudar e me tornei uma pessoa importante no cotidiano das operações de realização do evento aqui em São Paulo.

A estrutura do GFAL surge como um programa da UNINDUS, a Universidade da Indústria mantida pela FIEP, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná. Quem dirige a FIEP é Rodrigo Rocha Loures, um empresário que transliterou-se como uma referência de inovação em seu estado, e em breve em todo o Brasil. Rodrigo acredita em processos de mudança e tem promovido inúmeros cursos, ações e programas de desenvolvimento no Paraná através da Presidência da FIEP, cargo que ocupa nos últimos anos.

Rodrigo trouxe ao Brasil a Investigação Apreciativa, de David Cooperrider e Ronaldo Fry, aplicando a metodologia na Nutrimental com estrondoso sucesso, agora traz o Instituto MatríZtico (com Z maiúsculo mesmo) com Humberto Maturana e Ximena Dávila para cursos e ações em solo brasileiro. Só por isso Rodrigo já ocupa um lugar na história mas, além disso, ainda tem se envolvido de corpo e alma em ações que promovam a sustentabilidade e o desenvolvimento humano. Daí ter trazido O Global Forum ao Brasil através do BAWB e Case Western Reserve. Impossível não se engajar neste processo com ele, quem tiver a oportunidade, claro!

E foi justamente nesta oportunidade que me envolvi com o desafio de ajudar a trazer o GFAL para terras paulistas, em um prazo super curto e com grandes incertezas quanto aos recursos e apoio para em São Paulo para o projeto. Não foi o único nem principal protagonista deste processo, quem quiser conhecer o grupo visite o site oficial do GFAL, mas sem dúvida fui um dos que mais intensamente mergulhou nesta proveitosa aventura.

Mesmo com toda a força da rede de amigos do Rodrigo, com todos os simpatizantes à causa da educação para sustentabilidade e com o apoio institucional de uma série de grandes instituições, não foi nada fácil organizar o GFAL-SP para um encontro de dois dias na FECOMERCIO dias 20 e 21 de novembro.

Diversas pessoas se engajaram na construção de uma lista de mais de 300 participantes que garantissem a diversidade de perfis, idéias, idades e opiniões. Nos estabelecemos apresentando o projeto, convidando para participar e mobilizando pessoas, amigos e personalidades do mundo empresarial, acadêmico e político, além de um bocado de ativistas, arquitetos, especialistas e blogueiros. O evento foi marcado para um feriado (Dia da Consciência Negra), o último do ano, e muita gente boa ficou de fora tendo de optar por um passeio com a família ao invés do GFAL-SP.

Ainda assim, faltando dez dias para a data do evento, percebemos que o encontro seria um sucesso. Mais de quatrocentas pessoas se inscreveram, entre pagantes e convidados, e realmente conseguimos reunir um salão cheio de participantes, representando proporcionalmente toda a diversidade de perfil de público que buscamos.

Daí tudo funcionou como um relógio. Ilma Barros e Ronald Fry vieram de Cleveland (USA) para conduzir o processo usando a Investigação Apreciativa.

A alimentação foi total e certificadamente orgânica pela equipe da Eco. As emissões de carbono do evento foram calculadas e compensadas com a manutenção de uma pequena floresta especializada. O entusiamo dos participantes se manteve durante os dois dias. A produção de 18 iniciativas do encontro alavancou os grupos de participantes para uma prática pós-evento. Dezenas de facilitadores especializados apoiaram a aplicação da metodologia. Farto material foi colhido em desenhos, diagramas e textos digitados pelos participantes durante o evento.

Gente de todo o Brasil participou inclusive na perspectiva de levar o GFAL para seus estados (Nordeste e Amazônia irão acontecer em Março e Abril de 2009). O grupo Matrika embalou o processo com canções, trilhas e intervenções musicais inspiradoras. Uma instalação de alumínio na forma de um domo geodésico de Buckminster Fuller foi montada especialmente para o evento.

A primeira dama do estado Monica Serra apareceu de surpresa no encontro, se encantou e retornou no segundo dia. Importantes instituições de ensino superior como a FGV estiveram institucionalmente presentes. A ANGRAD referendou a iniciativa de todas as maneiras. E Rodrigo Loures encerrou o encontro completamente entusiasmado ao lado de um grupo de jovens do ensino médio que participaram ativamente do evento, propondo, questionando, sonhando e construindo em alto nível com os participantes.

Foi demais! Depois do encontro fiquei três dias descansando em casa e ainda não consegui me recuperar plenamente do cansaço destes meses.

Agora estamos em um outro momento. Dezenas de grupos se desenvolvem através de suas iniciativas, reuniões acontecem, conversações ocorrem, blogagens e sites começam a pipocar. Queremos acompanhar toda essa movimentação. Escutar as conversas e perceber os desdobramentos das ações. Seguir com todos aqui em São Paulo, aprendendo e tentando entender cada vez mais como pessoas comuns podem operar em rede na construção de uma mundo mais sustentável.

Fiquem tranquilos, manteremos todos informados, ok? E muito obrigado pela oportunidade, seja lá para quem for que eu tenha que agradecer.

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