Luiz Algarra no TEDx SP

* Um momento muito especial para mim. Um espaço privilegiado onde pude viver uma experiência reflexiva inesquecível. Segue a A íntegra do texto que preparei para minha inspiração na apresentação no TEDx SP.

Foto by Rafael Hernandez

Me convidaram para falar aqui no TEDx SP mas antes de falar eu gostaria de ouvir.

Ouvir o que outro diz a partir de onde ele diz

O que o Brasil tem a oferecer ao mundo hoje?

Existe um sujeito perguntando, sempre.

Tudo que é dito é dito de um observador a outro que pode ser ela ou ele mesma.

Quem apenas vive, sem refletir, não tem o que perguntar. Segue vivendo.

O peixe que vive dentro da água não percebe a água.

Me lembro que quando era pequeno e fui passar o dia na casa de um colega de classe, filho de japoneses, conheci um modo de vida bem diferente da minha casa.

Quando voltei para casa comecei a perguntar porque as coisas lá em casa eram daquele modo.

Então nesta pergunta escuto alguém que viu o Brasil de fora, de um peixe que saiu da água e que, pela curiosidade ou pela dor, convida os outros peixes a refletirem sobre a água onde estão mergulhados.

O que o Brasil tem a oferecer ao mundo hoje?

Vou tentar perceber a partir de qual entendimento esta pergunta está sendo formulada. Vou construir a pergunta percebendo de onde eu a escuto. E vou tentar perceber os verbos que cada parte da pergunta me traz.

O que o Brasil tem a oferecer ao mundo hoje?

O QUE?

Daqui de onde eu escuto, escuto neste “O QUE” o verbo buscar:

Buscar algo que ainda não vimos, descobrir algo novo, inventar, criar!

Escuto também buscar um novo valor em algo que sempre esteve em nossas vistas, ver com um novo olhar; renovar nossas percepções sobre tudo que está aí;

Até aqui está fácil. Vamos em frente.

O BRASIL

Nesta palavra ouço o verbo Brasileirar. Existe este verbo? Bem se não existe certamente existe esta ação: brasileirar, ou seja, conservar-se Brasileiro em um viver cotidiano que um sujeito distingue com um viver de brasileiro.

É brasileiro aquele que é aceito por si mesmo e por outros como sendo brasileiro.

Ou seja, o brasileiro surge apenas na observação de um outro sujeito. O brasileiro não é em si, e por isso podemos dizer que o Brasil não é em si.

O Brasil surge como uma rede de entrelaçamentos consensuais sempre na interação dos sujeitos pelas emoções e raciocínios que ocorrem no fluir destas emoções!

Então as fronteiras do Brasil são fronteiras emocionais.

Considerando que o fundamento da dinâmica de nossa espécie é o amor, digo até que a o Brasil vai até onde nosso amor uns pelo outros alcança!

E quando digo aqui amor não falo do sentimento ou emoção, falo de um fundamento amoroso dos seres humanos.

O amor é um fundamento biológico cultural de nossa espécie.

Lembrando que a espécie humana se funda a partir das relações de amor, de cuidado entre nós e os filhotes.

Todo ser humano vivo foi cuidado por outro ser humano vivo. Você está aqui hoje, vivo, porque alguém lhe cuidou.

Então esta pergunta dispara em mim o Brasil da amorosidade onde cada pessoa pode ser aceita como válida e pode aceitar as outras pessoas como válidas a partir de onde cada pessoas está.

TEM A OFERECER

Entendo que quando ele diz “oferecer” não está querendo dizer “entregar” ou seja, não está falando de oferecer petróleo, bauxita. De algo que, ao oferecer, perdemos.

Não se trata de uma operação de subtração, tirar daqui para colocar ali.

A pergunta nos fala do que podemos oferecer ao mundo sem tirarmos do Brasil, ou seja ele está falando de recursos inesgotáveis!

De algo que traga riqueza e prosperidade para o mundo como um todo, de modo que nós também possamos nos beneficiar disto.

Mas o que seria isto? Creio que aí está o coração da pergunta. O que temos em abundância e que possa gerar abundância para nós e para o mundo?

AO MUNDO

Aqui eu escuto o verbo VIVER!

Quando ouço MUNDO escuto a totalidade dos seres humanos, nossa antroposfera, que só pode se conservar viva no acoplamento estrutural com a biosfera, o planeta terra e todos seus sistemas de vida.

Ou seja, quem pergunta nos fala a partir da emoção de conservação de biosfera viva, povoada por uma antroposfera viva.

Escuto falar de um mundo vivo, com seres humanos vivos que se conservam vivos conservando o mundo em que vivem!

AGORA

Distinguo nesta palavra um sentimento de urgência. Ouço o verbo AGIR por trás desta palavra.

Agir neste momento de sua vida, ou seja, neste momento já estamos oferecendo algo ao mundo, neste encontro do TEDx em São Paulo.

Nosso passado é apenas uma história que contamos sobre nós mesmos! O relato das experiências não substitui a experiência.

Nosso futuro é uma série de suposições de possibilidades que desenhamos a partir da nossa explicação sobre nosso presente.

Vivemos sempre e somente neste eterno presente cambiante contínuo.

E neste tempo zero a pergunta começa a ser respondida pois estamos neste momento conservando uma rede de conversações aqui no TEDx São Paulo onde os seres humanos surgem uns aos outros como legítimos em seu viver cotidiano.

Então a pergunta é um convite para, olharmos para nós mesmos em nosso viver, percebendo algo que possa ser aceito pelo mundo e que faça do mundo um lugar de bem estar para que, inclusíve nós mesmos, possamos surgir na aceitação e respeito mútuo, a nós mesmos e à biosfera em que vivemos.

Somos humanos, e não robôs. Um robô tem pré-programada sua funcionalidade, sua finalidade. A vida humana não, ela ocorre como ocorre.

Nossas células criam a si mesmas e nesta autopoiese seguimos no fluir de nosso viver.

Quando olhamos ao nosso redor, ampliamos nossa visão e nos vemos além de qualquer automatismo.

Refletindo sobre nós mesmo, a partir da conservação de um respeito mútuo que se conserva na mestiçagem afetiva de nossa matriz relacional amorosa, podemos surgir no planeta terra como uma rede de conversações onde cada ser humano é legítimo em seu viver.

Vivemos nos apaixonando uns pelos outros neste país-continente a mais de quinhentos anos. Estivemos nos mestiçando em relações pessoais que ultrapassam as distinções de etnia ou matriz cultural.

Vivemos num fluir relacional que ainda conservamos e todo estrangeiro que aqui viver, ou com quem nos encontrarmos pelo mundo, está sujeito a se integrar a esta mestiçagem amorosa!

Não precisamos surgir para o mundo como um bloco econômico, um estado-nação impessoal e exigente.

Podemos estar, cada um de nós, participando desta rede de conversações mundial a partir de nosso viver como indivíduo, isso sim!

Minha filha Míriam tem dezenas de amigos de diversas partes do mundo em sua lista de redes sociais. E olha que ela nunca saiu do Brasil. Ela tem treze anos e sobre o que ela conversa? Ela fala de si e pergunta pelo outro. Apenas isso, que é, em síntese, tudo!

Somos humanos, e não robôs. Um robô tem pré-programada sua funcionalidade, sua finalidade. A vida humana não, ela ocorre como ocorre.

Nossas células criam a si mesmas e nesta autopoiese seguimos no fluir de nosso viver.

Quando olhamos ao nosso redor, ampliamos nossa visão e nos vemos além de qualquer automatismo.

Para isso basta dar um passo ao lado e observar a si mesmo em seu viver. Perceber-se agindo e falando a partir das coerências operacionais com sua própria história.

Veja-se interagindo com o mundo a cada momento no fluir das escolhas que foram sendo feitas em sua vida circunstancialmente da melhor maneira possível e que te trouxeram numa deriva até este seu momento presente.

Nesta aceitação de você mesmo pergunte-se:

Quero querer o que quero? Quero conservar o que conservo?

[SILÊNCIO]

Nesta visão ampliada digo a todos, muito obrigado pela atenção!

 

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  3. Rafael Hernandez

    Olá Luiz beleza?
    Muito loka sua palestra cara, acredito que é isso mesmo tenho um filho de 9 anos super conectado, hoje ele tem mais amigos que quando começei a usar internet e 98. A facilidade de se obter informação hoje está muito interliada com a Web e isso é o futuro de agora em diante.

    Muitas felicidades e obrigado por usar uma foto minha hehe visite o meu flickr: http://www.flickr.com/photos/rafaeldesigner/sets/72157622683978779/

    Abraço

    Resposta

    1. lalgarra

      Eu é que agradeço a foto! Não sabia que vc tinha um flickr assim acabei copiando a foto do seu Twitpic pro meu Flickr. Mas os links e o crédito estão lá. Valeu mesmo!

      Resposta

  4. Paula Torres

    Luiz, querido.
    Mostrei orgulhosa a palestra para minha mãe que gostou e achou bem bacana.
    Pensar em nossos recursos amorosos como sendo fonte infindável para o mundo é bem estimulante.
    Vendo-me como brasileira e descobrir a possibilidade de oferecer ao mundo essa fonte de amor sem fim foi o toque para aprendermos a nos brasileirar cada vez mais.
    Para mim fica cada vez mais claro o quanto é necessário refletirmos se estamos fazendo realmente o que gostaríamos de estar fazendo e se estamos amando o tanto que gostaríamos de estar amando.
    Como brasileiros estamos em nítida evolução possibilitando crescer tudo isso.
    Valeu!!!
    Paula Torres

    Resposta

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