A confiança é um fundamento da espécie humana. Nascemos na confiança de sermos cuidados. Crescemos na confiança de nossos vínculos de amorosidade. Confiamos em em quem nos cria e cuida e seguimos confiando em nossas relações de amizade.

Ser amigo é perceber o outro, e se deixar tocar pela presença do amigo em nossa vida. Eu sou eu porque sou eu e meus amigos que são o que são porque eu sou este amigo deles também!

Nos tempos difíceis, escuros, a amizade surge como um valor ainda mais forte. Em um tempo de submetimento, onde a confiança escasseia, mais do que nunca precisamos saber quem são nossos amigos, com quem podemos ser nós mesmos ser risco de sofrer por isso.

Foi num tempo como este que Elifas Andreato viveu! Cresceu na batalha da vida de brasileiro médio e do interior do Paraná surgiu como um ilustrador talentoso e consciente. Com seu traço poético passou a retratar as dores de um povo oprimido por um governo autoritário e ilegítimo, os militares golpistas do Brasil.

Elifas construiu uma rede de relações de amizade estruturada por sua coragem em enfrentar o regime usando apenas tinta e papel. Ilustrou capas de livros e discos censurados e registrou em arte visual muitos dos conteúdos extirpados das palavras pela toca máquina de censura da época. As mensagens de liberdade dizimadas pela censura às letras das músicas, escapavam pelas cores e traços de Elifas nas capas dos discos censurados.

Tanta cumplicidade com grandes artistas trouxe para Elifas uma coleção de poucos, bons, fiéis e grandes amigos.Seu filho Bento cresceu neste ambiente humano, vivendo a amizade como uma espécie de amor sincero e verdadeiro.

Eu tenho o privilégio de ter construído uma amizade justamente com este cara, o Bento Andreato, e tive a oportunidade de perceber a dimensão e profundidade deste vínculo quando ele me convidou para apadrinhar uma de suas filhas gêmeas, Elis, irmã de Clara, filha de Renata, netas de Elifas e Yolanda, pai e mãe de Bento, meu amigo.

Ali de pé diante da pia de batismo, depois de ouvir as palavras de Frei Beto que celebrou a liturgia, enquanto segurava a vela batismal fechei os olhos e me deixei mergulhar em um entrelaçamento afetivo de linhagens boas e amigas! Quando abri os olhos novamente já era padrinho da Elis, cumpadre do Bento e parente dos parentes da família dele e da Renata.

Agora é fazer por onde! Ou seja, ser padrinho significa fazer parte da vida da Elis, estar por perto como um referência, uma potência adicional de força e energia que está na reserva adicional da presença dos pais e avós. Desse modo tenho agora mais alguém para zelar, em meus pensamentos, em minhas preces e em meus planos de fazer cada vez mais e mais gente feliz! Feliz… Elis…

Querida afilhada, você nem faz idéia de como já está fazendo bem para este seu velho padrinho aqui. Muito obrigado, gente!

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