Hoje tive a oportunidade de assitir uma demonstração de Playback Theatre. Fui convidado pela Lillian Bartolo que já conhecia o trabalho do grupo e me apresentou ao Antônio Ferrara, diretor do trabalho, que me convidou a participar de uma sessão numa manhã de terça-feira.

Éramos umas vinte pessoas, uma platéia seleta, acomodados em almofadas numa grande sala no segundo andar de um sobrado charmoso perto do Metrô Paraíso. Logo que cheguei já conheci Antônio Ferrara, um altivo psicólogo que a mais de dez anos descobriu o Playback Theatre e, encantado, abraçou a ténica.

Um homem alto, com mais de sessenta anos mas absolutamente conservado. Com modos suaves, fala segura, sorriso amigo e olhar atento, Ferrara foi anfitrionando a platéia ao redor de uma mesa de café da manhã, já xcriando o clima do espetáculo.

Assim que subimos e nos sentamos entrou o elenco, uma turma de seis ou setes atores vestido de preto. Um músico quebrou o silêncio com violão e percussão e Ferrara abriu o espetáculo pedindo que cada ator declarasse um pequeno acontecimento vivido recentemente, qualquer coisa.

Então vimos a trupe se aquecendo enquanto representava no improviso situações banais de congestionamento, discussão com uma filha e uma noite de insônia. Reagindo ao enredo a trupe desabrochava uma cena e trazia a situação vivida por cada um deles para bem diante dos nossos olhos, ali mesmo no palco.

Feito o aquecimento Ferrara convidou alguém da platéia a ocupar uma cadeira vazia no palco e contar uma história de vida onde a vitória fosse o componente principal. Uma jovem executiva levantou a mão e topou participar. Ferrara sentou-se ao seu lado e com toda naturalidade e delicadeza foi deixando emergir a série de acontecimentos que transformou uma menina pobre e órfã de mãe em uma bem-sucedida mulher de negócios. Enquanto ela narrava alguns atores foram sendo designados para os personagens. Mãe, pai, amigas e ela mesma estavam no palco, de um momento para o outro. E então começou.

Não havia de início grandes interpretações, apesar da extrema competência de todo o elenco, nem um texto primoroso e elaborado, já que nem tiveram tempo de ensaiar ou construir um roteiro. Mas aos poucos as cenas foram ganhando corpo. A vida da convidada começou a brotar nas falas, nos gestos e nos olhares. O elenco foi entrando em um sincronismo ao mesmo tempo mágico e banal! A vida cotidiana de uma pessoa comum estava ali, ornada em uma dimensão narrativa poderosa. Simples mas extremamente comovente. Muitos de nós choravam, numa emoção absolutamente legítima.

O enredo desenredou, a narrativa se narrou e a história se contou. No final estávamos todos aplaudindo, com grande entusiasmo.

Tivemos alguns momentos para elaborar a experiência uvindo o que a convidada disse e aproveitando algumas observações de Ferrara.

O que esta história nos trouxe? Quais lições nos apresentou? E os valores, virtudes e forças positivas deste bem contado conto, o que nos trouxeram? Falamos sobre isto tudo percebendo um saldo adicional importante da experiência. Foi uma grande dose de humanidade!

Tivemos mais uma história depois dessa, a luta e cura de um câncer! Maravilha. E no encerramento Ferrara pediu para alguém declarar seus sentimentos para a modelagem da cena final.

Tive o privilégio de falar e trouxe uma percepção que em mim estava muito forte naquele momento.

Vi ali que todas nossas histórias são uma mesma histõria. Percebi que nosso enredo é único: a conservação da vida. Entendi que todos os pais são nossos pais e todas as mães são nossas mães. Vi que aqueles que nos cuidam e de quem cuidamos são os mesmos, personagens ideênticos e múltiplos num caledoscópio de variações. Vi o mundo girar sobre si mesmo, e a gente junto, num contar histórias que nos inventa e reinventa a séculos! Vi que eu era eu, e todos também. Simples, não?

Soube depois do espetáculo que o Playback Theatre pode ser aplicado em empresas, comunidades e associações como poderosa ferramenta de resgate da humanidade, força e vida destes grupos humanos. Funciona muito bem para platéias pequenas como a nossa ou para grandes multidões (chegaram a fazer espetáculos para 3500 pessoas aqui em São Paulo). Os aprendizados que surgem desta experiência são um importante valor que fica ancorado em cada um da platéia.

Depois de tudo ainda conversei longamente com o elenco, revi um amigo querido e terminei o passeio com uma bela foto diante da casa do Playback Theatre. Valeu mesmo, pessoal!

Para saber mais visite: http://www.playbacktheatre.com.br/

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