Respondendo a uma pergunta reflexiva de Ignacio Muñoz Cristi:

Daqui de onde escuto a pergunta de Inacio, distinguo um potente convite a refletirmos sobre nossas dinâmicas relacionais em um mundo sustentável. Cada vez mais vivemos nas grandes metrópoles, e aqui estamos cercados de pessoas muito diferentes de nós. Gente de todo tipo de perfil profissional, político, cultural e religioso. Tribos, grupos, torcidas e gangues de seres humanos absolutamente distintos. Vivemos todos lado a lado, formamos conjuntos humanos agrupados em bairros, empresas e associações. Seguimos assim acoplados em cada um desde conjuntos vivendo numa totalidade. Uma totalidade composta pela diversidade humana!

O respeito pelo outro surge como algo fundamental neste espaço. Perceber quem está ao nosso lado e aceitar sua expressão individual, dentro dos limites da cidadania, é fundamental para evitarmos os constantes conflitos entre nós. Regras e leis passam a regular nossa urbanidade, regulando o trânsito, punindo os preconceitos e normatizando os micro-direitos de cada um.

Mecanismos sociais de coexistência começam a surgir com força de necessidade neste século XXI. Mas esta coexistência é impessoal, genérica, fria. Esta coexistência regulada assegura nossa integridade física, patrimonial e emocional, mas não permite que possamos ir além disso, não possibilita que desfrutemos de tudo que a amorosidade humama pode gerar no seio de uma comunidade.

Quanta criatividade poderia emergir destes encontros! Quanta riqueza na solução de problemas e construção de bem-estar teríamos se soubéssemos estar uns com os outros numa perspectiva colaborativa. Que dinâmica fantástica poderia surgir quando vivêssemos no respeito mútuo pelo outro, entendendo que, a partir de si mesmo, do que viveu e conhece, o outro é 100% válido em suas crenças e opiniões.

Vejam bem, não falo sobre uma aceitação baseada na tolerância. Nem de uma amorosidade utópica. Falo do amar que surge a partir do entendimento de que vivemos realidades completamente distintas, onde cada um de nós conhece o mundo em um devir de experiência únicas e instranferíveis. Falo de uma amorosidade fundante de nossa espécie, nós como mamíferos cuidadores que por milhões de anos conviveram na aceitação mútua de seus filhotes, em coordenações de coordenações que permitiramo surigmento de uma linguagem sofisticada.

Então temos uma origem colaborativa, um fluxo biológico cultural que nos trouxe até bem pouco tempo atrás, como seres harmoniosos e coordenados. Eventos de nossa deriva civilizatória tem nos trazido, nos últimos 10 mil anos, a um caminho de guerra, intolerância e submetimento.

Ouço a pergunta de Inacio: “Como podemos conviver na unidade e diversidade, colaborando ou apenas co-existindo?” com um convite à uma reflexão que poderá ampliar nossa visão e nos levar a um outro espaço relacional, mais harmonioso e sustentável.

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  1. Lucia Freitas

    acho que nem colaborando nem co-existindo, Algarra. pra mim, o segredo é cooperar, operar juntos na realidade.
    De resto, o grande segredo já está aí no post: respeito amoroso, maravilhar-se com a diferença.
    Daí ficamos ambos com a questão: como criar ambientes confiáveis em que as pessoas possam cooperar em sua diversidade e afetar-se? ;)
    beijo e saudades

    Responder

  2. Leandro Azevedo

    Lúcia,

    Acredito que primeiramente é dispondo de espaços para livre conversação, relaxamento e descontração. Penso que nas culturas aonde existam os momentos de jogos sociais cooperativos haja um grande estímulo a integração; estímulo este que molda a corporalidade promovendo as condições biológicas ao conversar amoroso, co-inpirado e colaborativo.
    Penso que nestas culturas, tais indíviduos reúnem-se naturalmente e recursivamente para conversar sobre qualquer coisa, mesmo sobre o trabalho.

    O desejo de conservar um país diferente, em que a cooperação e colaboração sejam possíveis, é definido pelo desejo de que nossas crianças vivam espaços colaborativos e sociais; é definido pelo desejo de que as empresas também sustentem estes espaços como uma continuidade natural do viver destas crianças.

    O mudança de um país, depende de uma mudança cultural, de modos, de desejos…

    Abraço,

    Leandro.

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  3. Leandro Azevedo

    Lúcia diz: “Daí ficamos ambos com a questão: como criar ambientes confiáveis em que as pessoas possam cooperar em sua diversidade e afetar-se? ;)”

    Quando ouço a pergunta pelo “ambiente confiável” e pela “diversidade”, distingo a “objetividade sem parênteses” e as coisas do mundo como “verdades” em si, independentes da atuação do observador. O encontro, neste caso, é um confronto entre idéias, motivado pela tentativa de convencimento pela melhor “verdade”!

    Para mim, a cooperação não surge espontaneamente na construção artificial de ambientes tais e tais. Há algo na cultura que não nos permite estar na espontaneidade dos encontros sem o esforço, sem o atrito ou confronto.

    A cooperatividade e a co-inspiração haveriam de ser algo natural vivido na história epigênica de um povo, como um modo de estar e se comportar recursivo e consensuado. Algo que ocorra naturalmente!

    Um observador quando distingue a colaboração e a co-inspiração natural de um povo, aponta para um modo de se conduzir das pessoas em que cada um surja como legítimo para cada um, sem rótulos, pré-conceitos, julgamentos… em uma relação onde não há embates, imposições, ordem e submissão. Algo que ocorra em todas as esferas do viver, especialmente nos agrupamentos nucleares familiares e comunitários, e naqueles que podemos chamar educacionais.

    Responder

  4. Hélio Rola

    Muita qualidade no compartilhar.
    Aproveito o ensejo e compartilho, do viés político as inquietações do rolanet.blogspot.com

    “o poder nega o democrático pois na democracia não há poder, há colaboração e co-participação no decidir e no fazer” Maturana

    Responder

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