Foi sem dúvida alguma uma grande oportunidade. Estive apresentando uma palestra para um público de pouco mais de duzentas pessoas sobre cibernética e conversações. Em Curitiba, durante três dias, estiveram reunidos profissionais de comuicação da Petrobrás para um grande encontro de conversação e alinhamento. Na manhã do terceiro dia pude estar com eles conversando sobre um novo olhar a respeito de comunicação e conversação.

O tema da palestra foi exatamente: Comunicação no Equilíbrio Dinâmico em Rede. Comecei apresentando os fundamentos da cibernética. A cibernética estuda os fluxos de informação de um sistema, e o modo que esta informação é utilizada pelo sistema como um valor que permite ao sistema controlar-se a si mesmo, se ajustando para seguir em direção ao seu objetivo inicial.

Falei de metas e de sistemas orientados a metas. Sobre seres humanos que se pautam por metas imediatas e de longo prazo. De como conservamos metas desde a infância, por exemplo, e só nos damos conta disso quando as realizamos, ou não.

Cibernética é uma palavra que tem origem grega e significa algo como “a arte em navegar”. A meta surge como elemento organizador do fluxo de infromações e ações de um sujeito que navega. Remamos em direção a algo e quando percebemos que estamos nos afastando de nosso rumo, corrigimos o curso.

Os ciberneticistas explicam que humanos fazem isto o tempo todo, se orientando por objetivos simples ou complexos. Controlamos a nós mesmos, relativamente, e quase nada ao meio em que vivemos. Não temos controle sobre a economia, o clima e as doenças, ou sobre o amor, por exemplo. Então seguimos ajustando nossas condutas, falas e ações de modo a manter um rumo coerente em direção ao que desejamos. Aposentadoria, riqueza, aventura ou poder? O que cada um de nós deseja? E como organizamos nossa vida para alcançarmos nossa meta?

Então as questões básicas, principalmente dentro de uma organização onde os acordos e contratos são claros, podem ser: Quais são nossas metas?
Temos métricas para checar se estamos no rumo certo? Quais controles podemos operar?

Quando nos movemos em direção a uma meta e algo nos impede, buscamos entender o que ocorre para seguir adiante. O sinal de que estamos no caminho errado é percebido como um feedback, ou retroalimentação, por nosso sistema, daí vem o ajuste. Mas, e quando não percebemos nada, quando apenas seguimos em frente sem poder checar nosso rumo? E isto acontece com frequencia nas organizações.

Apesar de estarmos constantemente nos relacionando a partir de metas, planos, ajustes e ações, a falta de tempo ou de fluxo relacional impede que possamos perceber o retorno de nossas ações. As estruturas hierárquicas restringem os fluxos de compartilhamento destas informações. Daí então navegamos no escuro. Numa deriva total!

Sem retorno de nossas ações não podemos ajustar nossos planos, estamos sempre dependemos de comando e controle externo.

Em atividades simples e repetitivas comando e controle apresentam algum resultado, por algum tempo. Mas nos cenários complexos, com transições constantes, o modelo hierárquico tradicional não se mostra eficaz. Então como podemos estar mais ou menos coordenados?

Palestra na Petrobrás

Surgem então as Conversações Cibernéticas como um modo das pessoas conservarem suas coordenações em um espaço relacional hierárquico acoplado a um cenário dinâmico. São uma ampliação possível dos espaços de encontro humano que permite a inclusão dos ajustes naturais dos entendimentos, acordos e ações das pessoas, a partir da retroalimentação nos fluxos de informações.

Podem acontecer em três níveis, distintos ou simultâneos.

  • Reflexão individual: Consigo mesmo;
  • Conversação local: Pessoas do mesmo cluster de convivência;
  • Encontro transversal: Pessoas dos clusters interdependentes;

Devem ocorrer com frequência. sem pauta, tema ou direcionamento. Podem ser registradas informalmente e devem garantir todo o espaço de expressão para a subjetividade pessoal.

Sabendo que tudo que ocorre no viver humano surge a partir das conversações, apenas resgatando uma dimensão de troca, construção e convivência poderemos ter em um grupo a emergência de criatividade, inovação e harmonia necessárias à riqueza da empresa e da sociedade.

Bem, de modo bastante sintético foi este o conteúdo apresentado no 5º Fórum Petrobras de Soluções de Comunicação. Espero que os convidados sigam reflexivamente olhando para este assunto, e que seja de grande proveito a todos.

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  1. Vitale

    Olá lalgarra,
    assisti sua palestra do tedx, sinergia!
    pesquiso autoeducacao e interacao comunitaria,
    escrevi alguns programas de integração socioambiental,
    entre em contato, se possível me add no skype: dharma.ravita
    – que floresça o perfume de nossa essência.

    Responder

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