Jay Cross, Luiz Algarra, Ignacio Muñoz e Paul Pangaro

Upload feito originalmente por Papagallis

Talvez a discussão interna que mais trouxe assunto para o grupo de organizadores deste encontro tenha sido acerca da natureza panamericana deste encontro. Esta oportunidade de reunir pessoas de países diferentes, com visões relativamente complementares e distintas sobre o conversar humano, parecia a todos nós algo digno de uma celebração. Entretanto alguns insistiam em buscar um título que expressasse essa grandeza através da dimensão geopolítica, panamericana, enquanto outros diziam que isto era pura bobagem institucional! Bem, não chegamos a conclusão alguma, ainda bem, e metemos um “panamericano” em letra minúscula antes do título oficial da Rede de Conversações Informais.

Nossa intenção ao realizarmos o encontro foi, em primeiro lugar, aproveitar a oportunidade de poder reunir três especialistas nas teorias e práticas da conversação, que dificilmente estariam juntos presencialmente, para uma conversa sobre o conversar humano.

Ignacio com sua vivência prolongada em círculos reflexivos no Instituto Matriztico de Humberto Maturana e Ximena Dávila. Paul Pangaro com sua experiência em cibernética das conversações derivada de sua estreita convivência com Gordon Pask. E Jay Cross com seus vinte anos de prática e produção textual sobre a aprendizagem informal nas empresas, acelerada pela chegada da internet e suas ferramentas de interação.

Com esta mistura imprevisível buscamos uma deriva de conversação que nos levasse a uma viagem inusitada e reveladora da matriz teórico-prática sobre as conversações humanas em nosso tempo, e creio que foi isto que experimentamos naquela noite.

Cada um deles nos conviou a perceber uma dimensão diferente do processo de conversação humana.

Jay Cross nos falou sobre a importância da liberdade de escolha dos indivíduos sobre o ritmo e conteúdo de seus aprendizados. Quando cada um pode decidir o que deseja aprender e quando, o aprendizado flue na coerência da necessidade e desejo de cada pessoa. O esforço de aprendizado então desaparece e toda nossa energia se focaliza naquilo que estamos aprendendo, melhorando muito nosso resultado de aprendizagem. As ferramentas web 2.0 surgem facilitando nossa relação com o aprendizado independente da hora ou lugar, garantindo que estejamos conectados quando, como e com quem quisermos na maior parte do tempo.

Paul Pangaro trouxe uma visão pragmática sobre como o formato das conversações influencia diretamente seu resultado. Paul usou os princípios da cibernética através dos quais a informação sobre cada ação deve retornar uma nova informação que nos permita calcular e ajustar a próxima ação, sempre na busca de uma meta desejada. Ocorre que na maior parte do tempo não cuidamos deste fluxo conscientemente. Nos esquecemos que uma conversação acontece em um contexto social, mediada por uma linguagem em comum, permitindo trocas recíprocas que podem gerar acordos circuntanciais que garantem transações satisfatórias para todos os envolvidos.

Ignacio Muñoz descreveu os fundamentos das conversações informais a partir da compreensão do viver humano pela Biologia Cultural, revelando nossa matriz relacional mais básica. Para ele as redes de conversações informais são todas aquelas que ocorrem em espaços relacionais sem formato, e sem estarem orientadas a um resultado esperado, sem outro propósito a não ser o de permitir o bem-estar entre pessoas que querem falar, escutar e serem escutadas. Estando desse modo abertas a coinspiração de coordenações de ações conjuntas, sempre poderão gerar bons resultados, porém absolutamentre espontâneos e, justamente po isso, muito potentes!

A partir daí a noite seguiu um fluxo conversacional fantástico! Nas laterais do palco mantivemos duas cadeiras livres para que qualquer um da platéia pudesse interagir com os convidados. Diversas pessoas ocuparam o espaço e tivemos questões que foram do mais puro pragmatismo funcional até a mais intangível e pura reflexão filosófica!

Entre os temas que merecem destaq ue podemos falar sobre a questão da confiança nos espaços de conversação, e de como esta é fundamental para contornarmos o medo que as conversações livres e sem propósito podem nos trazer!

Também falamos das precisões e ambiguidades das conversações, e de como os modelos mais hierárquicos ou paerticipativos surgem oferecendo melhores resultados.

Não houve uma conclusão final, nem este seria o o objetivo do encontro, mas todos saímos do auditório da FGV no campus Berrini, naquela noite de segunda-feira, com a sensação que gostaríamos de continuar conversando, ampliando nossas compreensões e realizando mais e mais possibilidades de ação a partir da força das conversações humanas. Muito especial!

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