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Picasso disse uma vez que todas as crianças nascem artistas. O problema é permanecer artista enquanto crescemos.

Esta é MJ, ela é minha filha e tem cinco anos de idade. NOs últimos seis meses ela tem apresentado um enorme interesse e curiosidade em vestir suas bonecas com modelos criados por ela mesma. Recolhendo trapos, restos de tecido, lenços, panos de embalagens e tudo o que pode ser marrado, torcido, amassado e enrolado MJ veio desenvolvendo uma incrível habilidade em produzir modelos realmente surpreendentes!

MJ não teve nenhuma instrução especial para isto, nenhum curso ou aula específica de modelagem. Relacionamos o fato de em sua escola as crianças terem uma infinidade de fantasias penduradas para vestir quando e como quiserem, a qualqeur momento. Também consideramos que sua avó dfoi costureira e, além de tirar do baú mais e mais retalhos a cvada dia, celebra a neta com um brilho nos olhos que encoraja qualquer guria! E também levamos em conta que interferimos muito pouco nos desejos e no fluxo pessoal da MJ durante o dia, apenas o necessário para horário de comer e dormir, o resto a gente deixa rolar, inclusive respeitando os dias que ela quer ou não quer ir prá escolinha.
É uma pena mas dificilmente dará sequencia a este talento em sua vida, tenho quase certeza.

Daqui a pouco ela estará em uma escola onde as crianças usam uniforme de ensino fundamental, todos iguais. Em breve ela terá hora certa para sentar, levantar e falar durante a aula. Logo ela viverá apenas experiências determinadas pelas atividades de uma apostila e aplicadas por uma professora que assumiu um compromisso de trabalho de “educar” uma classe de trinta alunos no período de um ano escolar. MJ será uma aluna do sistema educacional brasileiro, tutelada pelo Ministério da Educação, supervisionada pela Secretaria Estadual de Educação, orientada pela nobre diretora da escola, acompanhada pela coordenadora pedagógica e educada pela professora em sala de aula, dentro dos limites que parecem lógicos e sensatos em uma sociedade como a nossa. Ou seja, ela será direcionada para ser qualquer coisa, exceto ela mesma. Sei disso porque todo o sistema já está lá pronto, esperando por ela, e não será afetada em nada pelo fato dela existir e ser quem ela é durante o ano escolar.

Como pai e profissional de aprendizagem informal que sou lhes digo, amigos. Que bela, grande e boa merda! O que nós estamos fazendo afinal de contas com nossas crianças, e por quanto mais faremos isto? Claro que estou tentando correr atrás de amenizar esta situação mas, e daí? Milhões de crianças irão para os bancos escolares no próximo ano para serem moldadas por um sistema arcaico e opressivo, e a grande maioria dela tem pais comuns, que ainda confiam no sistema educacional como um ambiente válido para a formação e desenvolvimento de seus filhos.
Se eu pudesse dar um conselho, se eu tivesse espaço de ação cidadã, se a lei me desse escolha e minha comunidade disponibilizasse os meios, sabem quando eu mandaria minha filha prá escola antes dos dez anos de idade? Nunca! Mesmo sabendo que estaria correndo riscos e experimentando com a responsabilidade de cuidar da MJ, mesmo assim eu arriscaria um caminho imprevisível, porque o outro caminho eu já sei o que vai dar. A não ser que ela seja uma execeção mas, e daí? E os outros Picassos que perdemos todos os dias em nossas fábricas de robots!

Desculpem a reclamação amigos mas, às vêzes, o que resta é apenas a página do próprio blog para a gente se manifestar.

Deixo o vídeo do Ken Robinson no TED para inspirar a todos. Boa noite.

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